Crônicas

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Paulo Autuori foi e Mário Sérgio nem veio


As entrevistas coletivas nunca mais serão as mesmas depois de Paulo Autuori e Mário Sérgio, que estiveram no mesmo período no Grêmio e no Internacional, respectivamente. Um parece que vai dormir e outro parece que não dormiu direito. O ex-técnico do Grêmio era agressivo com ironias contra a imprensa: "Vocês por exemplo que nem o diploma vale mais..." O interino Colorado cospe ameaças: "Vocês querem guerra! Eu quero pau, eu quero isso!".
Paulo Autuori demonstrou coerência entre o discurso e o trabalho. Tinha um esquema de jogo, brigou com ele até o fim, não conseguiu o sucesso que ele esperava. Já estava planejando a pré-temporada em Bento Gonçalves como todo bom "gestor de futebol". Mas não teve coragem de enfrentar a última janela com a imprensa. Convocou uma conferência e deu um prazo de 48 horas para tentar definir um impasse entre a razão e a emoção. Deu a entender que o coração queria o Grêmio, mas o mais sensato seria aceitar a proposta milionária. Alguns minutos depois, o coração já não batia mais no Olímpico. Estava fora pela porta dos fundos e a diretoria anunciou o interino Marcelo Rospide.
Mário Sérgio deveria ter assumido o Internacional logo após a queda de Tite. Mas não. A equipe perdeu a referência de um treinador. Surgiu no vestiário um companheiro de D'alessandro que entende as revoltas do argentino, um novo modelo de comando de time de futebol. A cada jogo um esquema, a cada partida uma escalação e quem for destaque no time, corre o risco de não começar a próxima partida. O sistema de trabalho de Mário Sérgio é tão secreto que até mesmo quando ele explica, ninguém entende. O Andrezinho já jogou no ataque e na lateral. O Alecssandro sai da área para buscar jogo e o Fabiano Eller estava na lateral esquerda. Sem falar do garoto Marquinhos que já teve que assistir Allan Kardec, Bolaños e o próprio Andrezinho no time no lugar dele que joga bem mais que todos eles juntos. Se pensa diferente, que faça com convicção, treino aberto e encarando a reportagem. O Internacional está sem um treinador convencional.
O que existe é um extraterrestre no Beira-Rio, assim como havia um técnico no mundo da lua no Olímpico. A cada coletiva era uma Jornada nas Estrelas. E esta rivalidade Gre-Nal que alimenta a curiosidade geral não pode ser refém de perguntas macias, comentários doces quando os objetivos não são alcançados. A cobrança faz parte do amadurecimento de qualquer profissional. O debate é livre. A sala de conferência está lá todo o dia pronta para mais uma coletiva. Vale criticar a imprensa, reclamar, argumentar, ironizar. Mas quem critica também tem que saber ouvir as críticas.
O jornalismo é assim: está sempre procurando um motivo para a tragédia, para o sucesso, para o fracasso, para a vitória. Não apenas retrata os fatos, mas questiona, interpreta e até distorce muitas vezes. É um exercício diário sob julgamento do público. E diante do público, da torcida, não somos nada quando não aceitamos a crítica, a vaia e a cobrança. Mas as coletivas nunca mais vão ser iguais como até hoje no Olímpico e no Beira-Rio.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Argentina de Maradona pode ganhar a Copa

A Copa do Mundo é uma competição traiçoeira a partir da fase eliminatória. Tudo aquilo que as Seleções fizeram na Copa das Confederações, nas Eliminatórias não valerá nada em 2010 . O que importa é o período da disputa, onde as melhores seleções classificadas estarão prontas para uma competição que é disputada a cada quatro anos em apenas um mês. Vale a taça. Caneco vazio é o fundo do poço para equipes como o Brasil, Argentina, Alemanha, Itália entre outras tradicionais. Se os argentinos não jogaram nada até a Copa também não importa. Eles têm jogadores de qualidade que podem fazer a diferença no mata-mata.
O Brasil não esteve sob pressão nas Eliminatórias porque sobrou e conquistou uma vitória emblemática sobre os argentinos na Argentina, mas perdeu para o Paraguai lá na terra dos Guaranis e tomou um banho de bola. Se na Copa o Brasil enfrentar uma situação de pressão contra uma seleção de qualidade, pode naturalmente ser eliminado e abrir caminho para outra equipe embalar na competição, mesmo que em outra chave. O time brasileiro tem qualidade de conjunto, mas confesso que não sinto qualidades individuais do porte de Ronaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, sem falar em Pelé e Garrincha, aí é covardia.
Pena que o Ronaldo esteja muito pesado porque seria um fator de desequilíbrio a favor do Brasil. Espero que o Kaká assuma a liderança técnica do time brasileiro nas horas difíceis e saiba ganhar um jogo sozinho, se for necessário. O meu sentimento, porém, é de que ele não tem esta característica, nem Luis Fabiano. O único suspiro seria o Pato, mas está longe de ser o garoto que despontou como gênio, ainda verde, cru. Não vivo no ambiente da Seleção e não posso ter certeza, mas parece que o talento dele foi abafado por uma coisa que abomino no futebol: o grupo. O que na verdade é uma panela, como fizeram quando tiraram Romário da Copa do Penta, um absurdo.
E só pensar rapidamente: Ronaldo, Pato e Ronaldinho Gaúcho ou Kaká, Robinho e Luis Fabiano? Claro, daria para misturar o Kaká com o Pato, etc. Mas a pergunta é para provocar mesmo. Os que estão fora contra os que estão dentro. Quem está jogando mais hoje? Kaká está na frente de todos, mas depois a briga é feia na minha opinião. E para provocar ainda mais. Todos em plena forma, quais seriam os três melhores? Nada de panelinha. Os Ronaldos pela história e o Pato pelo potencial que pintou merecem jogar alguns amistosos em 2010, se estiverem em boa forma física, para não desperdiçarmos talentos. Do contrário, temo pela Argentina.
Uma coisa que os argentinos têm nós não temos: liderança, experiência e muita qualidade técnica em um só jogador. Lúcio é líder, experiente, mas não tem a qualidade de Veron. E Messi está mais próximo de Ronaldo, Ronaldinho, Romário que Kaká. Não jogou nada até agora na seleção argentina, mas pode jogar. O Tevez é perigoso, o Mascherano é ótimo jogador. Tem ainda Gago, Aimar, Agüero e outros que vão disputar vaga até a Copa. Eles sofreram para classificar, mas na hora da decisão também ganharam fora de casa e contra o Uruguai.

Tenho outra incrível pulga atrás da orelha. Parece que a história deve um capítulo à parte para Diego Armando Maradona. Gênio, mão de Deus, dopado, drogado, riu da água suja que o Brasil bebeu, deu tiro em jornalistas, entrevistou Pelé em programa dele na TV, é questionado pelos jornalistas argentinos, virou religião. Mas é Maradona. Sem dúvida o grande personagem da Copa antes da bola rolar. Ainda bem ele não vai enfrentar o Dunga dentro de campo. Graças a Deus. Mas que Deus? O brasileiro ou o argentino? Que nada! Na África é tudo com os orixás. Então, que ogum esteja conosco.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O fracasso da dupla tem motivos diferentes




O fracasso da dupla Gre-Nal no Campeonato Brasileiro tem motivos diferentes. O Internacional tem bons jogadores, um bom grupo para figurar entre os líderes e beliscar o título. O problema é o comando técnico e da direção. O Grêmio não possui um grupo tão qualificado tanto que perdeu o Gauchão, perdeu a Libertadores e vai ficar de fora do g-4 do Brasileirão. Não adianta trazer de volta o Roth, promover o Rospide ou o Paulo Autuori. Os jogadores que o Grêmio têm na mão são insuficientes para uma temporada. É difícil o torcedor aceitar, mas o fracasso maior é do Internacional que com recursos financeiros se atrapalhou. O Grêmio não tem tanta bala na agulha assim e precisa subir aos poucos com os pés no chão.
O ano ainda não está perdido para Inter. Basta fazer um time feijão-com-arroz e conquistar os pontos que faltam para voltar ao G-4. O problema é que Mário Sérgio começou a inventar. Uma hora é 3-5-2, depois é 4-4-2. Depois tem Andrezinho na lateral, Bolaños na lateral, dois atacantes de área. O torcedor ontem enxergou uma obviedade: o garoto Marquinhos é o primeiro reserva do ataque e se Taison não vem bem já deveria ser promovido. Alecsandro, pelos gols que fez, tem crédito para começar o jogo, mas se for mal deve ser substituído por Alan Kardec, que é do mesmo perfil, de área.
Escolhe logo o time e o esquema e morre com ele abraçado até o fim. A única boa descoberta de Mário foi o garoto Daniel, que é lateral mesmo. Então é só escalar o time com o garoto na lateral, escolhe os dois melhores zagueiros: Bolívar e Eller. Na esquerda o Kléber. Meio-campo com Guina, Sandro, Giuliano e D'alesandro. No ataque, Taisou ou Marquinhos, Alecsandro ou Kardec. Deixa o Bolaños no banco como opção. O Giuliano estava suspenso, põe o Glaydson fora de casa e o Andrezinho no Beira-Rio. Quem for mal, troca. Se o adversário dominar o meio-campo, reforça. Se perder um expulso como ontem o Botafogo, não tira lateral, mexe no ataque. Se quiser escolher o 3-5-2, tudo bem, mas mantenha a maioria dos mesmos jogadores. Este troca-troca gera insegurança e bagunça o time como se viu.
O Grêmio não tem mais o quê fazer para buscar a vaga no G-4. O time é fraco tecnicamente. Mas precisa valorizar os bons valores. O goleiro Victor, o zagueiro Réver, Mário Fernandes, Souza e Máxi Lopez. Se o critério for rigoroso, apenas os zagueiros e o goleiro são intocáveis. Porém, o papel agora é da diretoria. Fazer uma ampla avaliação do grupo e sair em busca de reposição. Se faltar dinheiro, terá que usar a criatividade e apostar na base.
O time criou inúmeras oportunidades de gol no primeiro tempo contra o Santo André, mas não soube aproveitá-las. O time vem assim desde a época do Mano Menezes. Fora de casa perde força pela falta do grito da torcida porque no fundo o time é limitado e vem piorando. Fazem muita falta jogadores como Carlos Eduardo, Rafael Carioca e William Magrão. Vejo o Grêmio com boas tabelas, jogadas de linha de fundo, toque de bola. Isso é coisa do treinador. Bobagem esta história de que o time não tem pegada. Até o guri Roberson pegou duro demais e foi expulso no ABC Paulista.
Se não vender o Mário Fernandes já tem um trio na zaga: Victor, Mário e Réver. Precisa buscar um lateral-direito de ofício. No meio-campo, os volantes são fracos. Com William Magrão recuperado, ainda vai precisar contratar mais um jogador para a posição. O craque do meio também faz falta. Nem Tcheco nem Souza são craques. O garoto Douglas Costa pode se juntar ao time com um jogador inteligente, um camisa dez como fora o Roger. Não descartaria ter um meio-campo forte no Grêmio e colocar Souza novamente na lateral-direita. O ataque é o maior drama. Jonas é o goleadordo time, mas não pode ser titular. Fica no banco. Máxi Lopez me parece caro demais pelo que joga. O Herrera não tem mais condições de jogar nua equipe grande. Ok. Jonas e Máxi permaneceriam no grupo. Mas a diretoria precisaria encontrar um jovem atacante promissor e um matador consagrado de movimentação, tipo o Leandro que quase veio. É hora de garimpar entre os rebaixados, na Série B. Sempre tem bons jogadores.

domingo, 25 de outubro de 2009

Grenal com peru light é o menu do Brasileiro

O Gre-Nal vencido pelo Inter no Beira-Rio teve de tudo, menos futebol. Foram três minutos de bola rolando e só. O Internacional começou elétrico e numa jogada rápida, Kléber lançou Alecsandro que de peito deixou para D'alessandro chutar forte de fora da área. A bola picou sobre a linha da pequena área, subiu mais que o normal e o montinho artilheiro acabou traindo Victor. O goleiro do Grêmio engoliu um Peru. Foi o único gol da partida. Uma vitória magra. Um peru light, mas o suficiente para encher a barriga dos colorados que seguem rumo ao título. O cardápio do jogo segue no mesmo tempero das rodadas finais do campeonato: sem sal, morno, sem sabor. Mas já que o bufê é livre, tá todo mundo servindo o mesmo banquete, a disputa se torna emocionante.

O Gre-Nal teve vômito de Sandro, língua de fora do Douglas Costa para Guiñazu, gols perdidos por Herrera e Alecsandro. Paulo Autuori errou quando tirou Douglas Costa e Mário Sérgio quando trocou D'alesandro por Andrezinho. Marquinhos entrou muito tarde e Taison, mesmo em má fase, poderia ter permanecido. Melhor era tirar Alecsandro, que mesmo artilheiro do time, tem jogado mal, quase nada. Tá certo que o Grêmio sentiu a falta de Tcheco e Maxi Lopes, mas também é verdade que o time é limitado e não é injustiça ficar de fora da Libertadores do ano que vem.
Quando Victor falha no gol e deixa escapar uma bola de forma bizarra para escanteio é porque a tarde não era de futebol. Fica difícil acreditar que o Internacional terá time para ganhar quarta-feira do São Paulo no Morumbi e não é loucura imaginar que o Avaí tem boas chances de tirar pontos do tricolor mesmo que no Olímpico. O time do momento é o Flamengo que ganha e toca a bola com plasticidade. O Atlético Mineiro ganhou de 1 a 0, mas tomou um sufoco do Vitória no Mineirão, o Palmeiras fracassou diante do Santo André. Quem embalar três vitórias seguidas a partir da próxima rodada pode encaminhar o título. Não tem favorito. Os quatro primeiros estão no páreo. Só está faltando futebol.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Que tal ousar no Grenal?

Os técnicos da dupla poderiam ousar no Grenal de domingo no Beira-Rio. Montar uma estratégia para ganhar e não para não perder. Sempre acreditei que o futebol é tão dinâmico que não se pode ficar preso a um único esquema. E hoje os jogadores de grandes times como Kaká, por exemplo, tem poder de marcação, finalização e criação. Podem então jogar em mais de uma função no meio, numa ala ou no ataque. Até mesmo na zaga, nem que seja pela circunstância do jogo. Como quando faltar um minuto para o final de uma decisão, gtem escanteio para o adversário e aí até o Kaká estará na área para espantar a bola. O segredo está na movimentação, na busca do espaço que é aberto, no entrosamento e acima de tudo no preparo físico e qualidade individual que sugere inteligência do jogador com e também sem a bola.

O Grêmio está com problemas para o clássico, mas isso não impede que o time ouse para vencer o Inter. A começar pelo esquema. Paulo Autuori não gosta do 3-5-2 que chama de preguiçoso. Só que dependendo das peças em campo, o time pode variar o esquema ao longo do jogo sem substituições. Uma equipe formada por Victor; Mário Fernandes, Léo, Réver e Lúcio; Ádilson, Túlio, Rockembach e Souza; Douglas Costa e Perea é a princípio um 4-4-2. Com posse de bola pode ter uma linha de ataque com Souza pela direita, Perea no centro e Douglas na esquerda, se tornando um 4-3-3. cehado, pode virar 3-6-1, com Mário se juntando a zaga, os demais todos recuados e apenas o Perea a frente. É só Túlio ou mesmo o Rockembach abrir pela direita à frente do Mário Fernandes e vira 3-5-2, com Perea e Douglas no ataque. Ou seja, tudo depende do treino, da função tática e da entrega dos jogadores. E, hoje, pela dupla ou tripla função dos jogadores é possível modernizar o time com variações de esquema. O problema do Grêmio é o banco. Hererra se estiver bem recuperado e Maylson para o meio. Por isso mesmo, o time que começar jogando precisa de variações.

O Internacional possui ainda mais opções de esquema. A escalação base pode ser Lauro; Giuliano, Bolívar, Índio, Sorondo, Sandro, Guiñazu; D'alessandro e Kléber; Taison e Alecsandro. Seria o 3-5-2 que o Mário Sérgio jura preferir com Giuliano na ala. É só o Bolivar dar um pulo para a lateral e o meio fica com o quadrado formado por Guina, Sandro, Giuliano e Dale. Se o Taison descer para a ala direita e o Bolivar volta para a o trio de zaga, vira 3-6-1. É só o Taison abrir na esquerda no ataque e o Giuliano avançar pela direita que ainda pode virar 4-3-3 ou ainda 3-4-3 com Kleber ainda mais avançado pela esquerda. Outra saída é incluir Marquinhos no time e tirar um zagueiro. A linha de três zagueiros poderia ter Bolívar e Índio com Sandro à frente dos dois como Réver já fez muito bem no Grêmio, um falso zagueiro com saída rápida. Guiñazu e Giuliano numa segunda linha de marcação e D`alessandro flutuando livre no meio, tendo Taison pela direita e Marquinhos pela esquerda e fixo na área o Alecsandro. Kléber teria liberdade para criar numa linha intermediária sendo protegido por Guiñazu. O inverso também pode funcionar bem. Guiñazu sendo o pastor alemão da zaga e Sandro numa segunda linha com Kléber no meio. Aí seguem D`alessandro, Taison, Alecsandro e Marquinhos. O Inter ainda tem o Andrezinho e o Alan Kardec como boas opções de banco e o próprio Marquinhos se não começar jogando.

O futebol poderia se espelhar mais no basquete e no futsal e ter mais intensidade na movimentação mesmo que o gramado seja bem maior e o gol também. Do basquete também poderia tirar as jogadas marcadas a cada lateral, saída de bola até a cesta. Repetir mil vezes, quase como no circo, para ter precisão e qualidade. Isto é treinar. Por isso, também defendo que o time deve ter 11 do início ao fim do campeonato, só trocando as posições daqueles suspensos ou lesionados ou que não estão numa boa fase. Até porque quando o time está acertado todos sabem na ponta da língua, no lápis, e ninguém mexe. Mas aqueles que entram precisam ser os reservas imediatos de cada um na mesma função. O time de baixo deve ser um espelho do de cima, assim o time se faz por um idéia de futebol e não pelo que o técnico tem à mão. Mas para isso, os dirigentes precisam montar um grupo com estas características. Nesta filosofia, o time sofreria menos impacto nas substituições e quando algum jogador fosse vendido. Claro que a qualidade sempre vai pesar, mas com organização, variação tática e entrosamento aumentam-se as chances de vencer. Hoje a maioria dos times fora de casa só tem um atacante. mesmo que sejam dois na escalação é só olhar que apenas um fica lá na frente. As chances de perder ou empatar sao maiores. Ganha aquele que tem boa defesa e meio-campo forte e numa tacada faz o gol e se fecha. Seria bem mais facil manter o esquema de casa, mesmo que com postura cautelosa e buscar a vitoria.
Em resumo, a dupla Grenal tem boas opcoes para obter exito no classico de domingo. O problema e que mexem demais nos times, mudam esquema a cada jogo e nao se entrosam O Gremio me parece mais preparado neste sentido. Dou razao ao tecnico Paulo Autuori, pois nao lembro um time que deu um baile no tricolor desde que ele assumiu. So falta qualidade no grupo e ai e que o Inter leva vantagem. Mesmo baguncado e sem conviccao de time ate agora, tem mais jogadores que podem decidir. O futebol e fantastico por isso. Existem varias formas de se montar um time. Eu tenho minhas ideias, o vizinho discorda e quase todo mundo tem boas opcoes mesmo assim. Estou curioso para avaliar o que os dois times gauchos vao apresentar no domingo!

Silas não é novidade



O técnico Silas não é novidade para quem habita a Ilha de Santa Catarina. Desde que chegou, adotou uma postura ofensiva. O time procura jogar igual fora e dentro de casa. Além de ser campeão Catarinense e atropelar os adversários na reta final, o Leão da Ilha só foi superado pelo Corinthians de Mano Menezes na Série B do ano passado. A virtude de Silas é a escola dele como jogador. Atuou no São Paulo de Tele Santana e Cilinho. É possível afirmar que ele tem tudo para ser um Muricy Ramalho melhorado. Costumo assistir aos jogos do Avaí e dá gosto de ver a equipe jogar. Com todas as limitações técnicas, pois não possui grandes craques - o melhor é Marquinhos - tem no toque de bola a grande arma. Jogadas de linha-de-fundo, tabelas de primeira, cruzamentos para trás ao melhor estilo Silas, Muller e Sidnei com Careca flutuando. Lembra muito o futebol que Telê implantou na Seleção de 82, a coisa mais maravilhosa que já vi num time. Os laterais avançam, a zaga participa da saída de bola. Sem craques, o Avaí do Silas tem toque refinado semelhante ao Silas dos gramados, um jogador habilidoso e elegante com a bola nos pés. E do jeito que anda o Ricardo Gomes, é bom se apressar para ele não parar antes no São Paulo que em qualquer outro lugar. Na Argentina, até hoje ele é considerado um dos melhores meio-campistas que passou por lá. Jogou no San Lorenzo e teve passagens pela Seleção Brasileira. Veja o que ele já conquistou na carreira:

São Paulo
Campeão Paulista - 1985, 1987, 1998
Campeão Brasileiro – 1986

Internacional
Campeão Gaúcho - 1992
Campeão da Copa do Brasil – 1992

Vasco
Campeão Carioca – 1994

San Lorenzo
Campeão Argentino – 1995

Atlético Paranaense
Campeão Paranaense – 2000

Seleção Brasileira
Campeão da Copa do Mundo Sub-20 - 1985
Campeão da Copa América - 1989

Como técnico

Avaí
Campeonato Catarinense: 2009

Destaques
Melhor Jogador da Copa do Mundo Sub-20 - 1985
Melhor técnico do Campeonato Brasileiro da Série B - 2008

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Grenal pra variar vale tudo

O Grenal do próximo domingo na verdade valeria apenas mais três pontos. Lá na frente, no entanto, alguém vai dizer que o Inter classificou porque ganhou, o Grêmio perdeu a vaga porque perdeu ou vice-versa. O que cega a aldeia gaúcha é que existe dois times ruins que pretendem comprar um colírio milagroso no Beira-Rio. Não basta vencer o clássico tem que jogar um bom futebol e levantar taças. O tricolor tem grupo deficiente e o Internacional sofre de má administração do futebol. Este sim é o Grenal do Brasileirão.
Domingo é dia de descobrir se o problema do Grêmio é atravessar a cancela do Olímpico ou o portão 1 do aeroporto Salgado Filho neste Brasileiro. Com exceção do Náutico que já se tornou o saco de pancadas preferido do tricolor assim como os Aflitos são a extensão do Olímpico, não há vitórias do Grêmio longe da Azenha. Já o Internacional necessita de um roteirista de cinema para traduzir o script de Lost. Totalmente perdido, tonto e desorientado. Cada dia tem um diagnóstico para o fracasso na temporada. Ou é o técnico, ou é a defesa, ou é o esquema, ou é o ataque, ou é o meio, ou é a covocação do Dunga, ou o calor do Rio de Janeiro. Nada como um Grenal para apagar todos os problemas e esquecer de que Internacional e Grêmio são times comuns.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Show é ganhar dando show

Foi pobre a participação do Brasil no Mundial Sub-20 no Egito. Um time completamente sem orientação tática. Um amontoado de bons jogadores que pararam no esquema de marcação de Gana hoje no Egito. Com um a mais em campo, o Brasil empatou sem gols no tempo normal, na prorrogação e perdeu nos pênaltis. O técnico Rogério Lourenço não pode assumir uma seleção mesmo que de base, a última base antes da principal. Deveria ser tarefa de Dunga também. Seleção não treina todo o dia. É bem possível ter pelo menos uma supervisão do treinador da seleção principal. Se tivemos Eliminatórias esta semana, tudo bem, mas na decisão ele poderia estar lá ou mandar um representante seu. O Jorginho, um outro ex-jogador da era Dunga. Ou quem sabe alguém como Romário para dar alegria ao nosso futebol de base. Estamos felipalizando nosso futebol. É marcação forte, retranca, e depois vem o ataque. Esta gurizada tem fôlego para marcar mas também atropelar no ataque. Por quê não jogamos para cima, com habilidade, nas pontas, driblando, agredindo o adversário pela bola, não pela pegada? Tô com o técnico do Grêmio Paulo Autuori, odeio pegada. Quero drible, gol, show. Show é ganhar é coisa do Parreira que foi Tetra nos pênaltis. Pra mim, show é ganhar dando show!
Gols do Romário para inspirar a gurizada!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ano pífio da dupla GreNal

Mesmo com o Inter na Libertadores da América e o Grêmio na Sul-americana, o ano já é pífio para a dupla Gre-Nal. O Inter foi a grande decepção da temporada em mais um vai e vem de jogadores e troca de técnicos sem sucesso. Galo, Tite e Mário Sérgio. Parece aí outro erro grave do Colorado. O primeiro é um aprendiz, o segundo é um profissional que não evoluiu e o terceiro nunca ganhou nada como treinador. O ano que começou em alta tem um gráfico em queda livre. Apenas no Gauchão o time jogou. Desde o ano passado, o time não tem jogadas, o meio-campo caiu de rendimento. Só o fato de Alex e Nilmar estarem na Seleção e fora do Inter dá uma idéia da perda. Nilmar pela qualidade individual e Alex por dois motivos: individualmente e pelo conjunto.
O melhor Inter tinha no meio Guiñazu, Magrão, D'alesandro e Alex. Aí Nilmar e Taison voavam à frente. Ou então Taison era banco e Sandro estava no meio. Andrezinho e Alecsandro eram reservas. O Inter precisa urgente para o ano que vem jogadores velozes com características semelhantes a Alex e Nilmar. Talvez Giuliano possa ser o homem do meio, mas na frente não é Alecsandro, nem Taison. O garoto perdeu a confiança e precisa de uma sombra, Alecsandro se acomodou. Alan Kardec é uma boa opção e ainda tem o Walter e o Marquinhos. Falta, no entanto, coragem e olhos dos treinadores para substituir. Quem joga mal sai, quem tem qualidade entra. Quem é ruim nem deveria ser opção senão acaba entrando.
Por quê Andrezinho entrou na lateral-esquerda contra o Atlético Paranaense? O Mário Sérgio enlouqueceu. Foi só o Antônio Lopes colocar o Marcinho às costas dele e bingo! O Inter não perdeu por sorte. Se quer fazer um 3-5-2, precisa de alas e força no meio-campo. Não pode começar o jogo com Guiñazu, Glaydson e D'alesandro. Dale ficou isolado e bem marcado foi um jogador comum, apático. Os alas eram o zagueiro Danilo e o lateral Marcelo Cordeiro. Fracos no apoio também facilitaram a marcação de Taison e Alecsandro. O Inter iria jogar 100 anos e nunca faria gol no Atlético. O time coleciona resultados ruins no Beira-Rio, perdeu a Copa do Brasil, a Recopa, e caiu na primeira fase para o Inter na sul-americana. Tá pedindo para ficar fora da Libertadores.
O Grêmio além de perder o Gauchão, faz uma das piores campanhas do Brasileirão. Desde os tempos de Mano Menezes, tinha este problema de perder muitos jogos fora de casa. Quem conseguiu melhorar este desempenho foi Celso Roth no ano passado. Mas na Libertadores manteve a mesma escrita. O melhor técnico na competição foi Marcelo Rospide. Não pode o time vencer apenas o Náutico fora de casa. É um vexame. Ao Grêmio faltam opções.
Não acredito que o problema do Grêmio seja o técnico Paulo Autuori. Ao contrário do Internacional, o Grêmio tem jogadas. Sábado, Lúcio lançou Tcheco na ponta que colocou na área e Maxi mandou de primeira, numa clara triangulação bem trabalhada. Souza, mesmo sendo frágil fora de casa, faz falta no meio-campo. O problema é que o garoto Adílson não consegue se firmar, Túlio é um bom jogador para grupo e o Rockembach ainda não deslanchou.
O ataque se vale pelas atuações do Olímpico por isso acumula tantos gols. Mas Maxi, Jonas, e Herrera são jogadores irregulares. O Maxi é forte, inteligente, mas pouco habilodoso. É tosco, trombador e paradão. O Jonas é inseguro e frágil, mas tem os fundamentos do futsal para chutar. Além disso, é um operário padrão e erra uns 15 para fazer dois gols. O Herrera é o timpo porra-louca. Parece uma barata tonta, ou cucaracha zonza. Corre de um lado para o outro, marca, dá pau, chuta, se atira. Pelas credenciais, o Máxi pode ser titular. Mas ele precisa de um companheiro mais qualificado. Algo como Diego Souza, que já foi do Grêmio e está na seleção. Assim como o Inter, o Grêmio não tem lateral direito e só Rever é bom zagueiro. Em resumo, precisa de pelo menos mais dois atacantes, um de primeira linha, um volante, um meia para o lugar de Tcheco, um reserva para Souza, um lateral direito e um zagueiro. Falta muita coisa e isso não é culpa do Autuori. Tenho certeza, se ele fosse o técnico do Inter, por exemplo, o time jogaria bem mais. E se o Mário Sérgio assumisse o Grêmio, correria risco de ir para a Segunda Divisão.
A propósito, o Mário Sérgio falou que pode mudar, enganar a imprensa quando quiser. Ele tem 40 anos de futebol e os profissionais são jovens, ingênuos. Ele tem razão, jogou muito como jogador. Mas alguém perguntou nestes 40 anos, quantos títulos ele ganhou como técnico para se gabar da experiência? É cedo para falar, mas que começou mal, ah começou. E o Grêmio não pode abandonar o projeto Autuori por causa da má campanha do Brasileiro.

domingo, 11 de outubro de 2009

La Paz poderia ser La Luna


Foi uma das experiências mais estranhas que tive em minha vida em 1997, quando desci em La Paz na Bolívia para cobrir a decisão da Copa América daquele ano entre Brasil e Bolívia. Primeiro porque o avião não desceu, ele estacionou como numa garagem quase à mesma altura das nuvens no aeroporto. Logo que saí do aparelho uma sensação estranha, o ar pesado, parecia que o oxigênio não era oxigênio. Logo acostuma, mas é estranho. Não fui eu, alguém disse e concordei: Isso aqui parece a lua! Nunca estive na lua, a não ser no mundo da lua. Mas que parecia, parecia. Havia crateras, um clima seco, árido, monocromático. Depois, vieram os prédios, as ruas, os carros e o estádio Hernando Siles, tudo muito colorido.
Assim que o ônibus desceu dos 4100 metros de altitude para os 3600 do aeroporto o cenário me chamou a atenção. Não via vegetação, apenas um terreno arenoso cor de argila clara, aquele barro meio cor de café com leite. Muita gente a pé, mulheres com crianças às costas e casas a quilômetros de distância sem ruas para carros, com acesso somente a pé. Nunca vou esquecer a imagem do estádio lotado e a torcida gritando Bo-Li-Via. Cada fatia da arquibancada correspondia um terço. E a cada sílada, tambores soavam no mesmo local. Foi a primeira torcida estereofônica que ouvi. Era um coro com uma sequência cada vez mais rápida. Bo.....Li.....Via, depois Bo..Li..Via e aí Bo-Lí-Via e Tum, Tum, Tum acompanhando.
Nos bares, refri e cerveja long neck CBN, as mesmas inicias da rádio que representava como repórter ao lado do narrador Salles Jr. Era a CBN Diário 740 de Florianópolis. Foi a primeira transmissão internacional da emissora, antiga Diário. Na verdade as letras significavam Companhia Boliviana de Cerveja. Muito boa, por sinal. Os lanches chamavam a atenção. Havia uma espécie de assado suíno que era descascado de uma forma bem primitiva - superou o nosso churrasquinho de gato. Aquilo ia num pão, com catchup, mostarda e outros condimentos, fora a prensa na mão do cara que tinha a unha negra. Não era tinta, era suja mesmo. Nestas horas, o jeito era almoçar Coca-Cola e chocolate, tudo industrial.
Mas não me arrependo de ter tomado chá de mate de coca. Foi o que me deixou mais disposto para encarar a altitude e que me deu pique para invadir o gramado ao final do jogo e ser o primeiro repórter de rádio do Brasil a ouvir os jogadores no campo após vitória de 3 a 1. Tive sorte aquele dia. E por pouco não tomei um soco do atacante Echeverry que fechou o punho quando perguntei sobre a derrota. Mas a Bolívia tem um povo acolhedor que nos recebeu muito bem em Santa Cruz de la Sierra. Pena que as fotos que tenho são todas impressas e não tenho um scanner para digitaliza-las agora. É lá que hoje o Brasil enfrenta a Bolívia pelas Eliminatórias. La altitud é sempre um obstáculo. Acabei tomando uma dose de oxigênio no aeroporto na volta. A melhor coisa que pode existir é poder respirar depois de tanta falta de ar. Entendi os asmáticos, que sensação desagradável. O Brasil precisa correr a bola, gritar o mínimo possível. Dunga sabe bem, pois foi ele o mestre daquele jogo. Comandou o time por mímica, apontando para um lado e para o outro, sem gritar. Quem sabe hoje ele grita à vontade do banco porque não precisará correr. Vamos ver Nilmar e o Adriano voando na Lua! Quero dizer: em La Paz.

sábado, 10 de outubro de 2009

Inter inventa e Grêmio tenta vencer o Timão


O Internacional deve ganhar do Atlético Paranaense, apesar do esquema tosco inventado por Mário Sérgio com uma linha de quatro zagueiros atrás: Bolívar, Índio, Sorondo e Eller. O meio terá dois volantes Guina e Glaydson. No meio, Andrezinho e D'alessandro. Ataque com Taison e Alecsandro. Vejo problemas neste quadrado do meio. Ele é frágil porque só os volantes marcam. Mas tem os zagueiros para cobrir? Sim, mas se o meio-campo do Atlético for reforçado, terá mais posse de bola e vai pressionar o Inter. A saída será Taison ser mais acionado e armar com Dale e André para Alecsandro. Vejo um time melhor com Edu no lugar de Andrezinho ou 3-5-2 seja com Cordeiro ou Bolaños na ala esquerda e Bolivar na direita com mais liberdade. Sem Edu, preservado, apostaria em Marquinhos como no jogo contra o Goiás. Até mesmo Taison poderia ser o ala direito. Andrezinho precisa ser o reserva de D'alesandro. Os dois juntos geram aquele time lerdo que sofreu contra o Náutico. Cuidado com o Lopes!
O Grêmio tem uma missão muito difícil. O Corinthians não vence há cinco jogos. A pressão para vencer forçará até Ronaldo, o gordo, a correr. É um jogo perigoso. O risco de derrota é muito grande. Porém, se sair na frente pode gerar um clima de instabilidade no Timão de Mano e até ampliar com naturalidade. O Grêmio tem um bom ataque, o que mais marcou. Sem Souza e com o meio-campo reforçado terá que segurar o início do Corinthians. O problema do Grêmio é que não tem jogadores de qualidade na armação. Apenas experientes. É duelo para empate ou derrota. Vitória só na batalha e isso é coisa para Mano Menezes, jamais Autuori, um técnico técnico mesmo.
imagem:reprodução site www.internacional.com.br

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Golfe e Rugby em 2016 e nada do futsal

Foto: Falcão, o melhor jogador de futsal do mundo
crédito: Cristiano Borges/CBFS

O futsal é uma invenção sul-americana. Surgiu no Uruguai e em São Paulo entre os anos 30 e 40. Era quase a mesma coisa. Encontraram um jeito de jogar futebol em quadras de hóquei e basquete com um gol menor e depois uma bola menor. Há quem se lembre do nome original: futebol de salão. Foi com esta denominação que se realizou a primeira copa do mundo em 1982 no Brasil. Desde então, caiu no gosto popular. Em 1989, a FIFA assumiu o controle internacional da modalidade em lugar da FIFUSA - Federação Internacional de Futebol de Salão. Aí ganhou o mundo de maneira espetacular. Mas este esporte tão nosso não estará nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.
O Comitê Olímpico Internacional aprovou a presença do golfe e do rugby nos Jogos do Rio. Uma decisão acertada, pois se tratam de duas importantes modalidades. Não vejo problema na inclusão de esportes de elite como o golfe. Mesmo sendo restrito à camada mais pobre da população, é uma modalidade disputada no mundo todo. Existem redes de hotéis que abrigam grandes gramados de golfe e têm hóspedes exclusivamente fiéis ao taco e a bolinha. O rugby tem ainda maior apelo por se tratar de um esporte de bola - mesmo que oval - com origem popular na Inglaterra que até se confunde com o futebol. A origem do futebol, do futebol americano e do rugby é quase a mesma.
O que mais me chama a atenção no futebol e também no futsal não é a origem mas a utilização dos pés pela maioria dos jogadores. Somente o goleiro pode utilizar as mãos e numa área de atuação restrita. Os demais jogadores fora do campo de jogo podem arremessar a bola ao campo em cobranças de laterais. O Rugby e o Futebol americano são o contrário. O chute é a exceção e ainda por cima é mais utilizado pela força do que pela habilidade. O drible nestes esportes é com jogo de corpo, já o futebol e o futsal exigem malabarismo, equilíbrio e precisão nos toques porque os pés não conseguem agarrar a bola, apenas dominar, conduzir, lançar.
Não é por a caso que Pelé foi considerado um Rei e o Atleta do Século. Ele popularizou a velocidade de um velocista, a impulsão de um saltador, o jogo de corpo de um jogador de rugby ou futebol americano, mas uma única e exclusiva habilidade do futebol com os pés. E ainda tem o uso da cabeça como recurso nas bolas altas, outra ferramenta bastante útil tanto para defender como para atacar. Nem mesmo o vôlei, que hoje permite a utilização dos pés e da cabeça, estes recursos não são muito utilizados porque é permitido o uso das mãos bem mais fáceis. E só tentar jogar o futvôlei para ver que o grau de dificuldades é bem maior.
São estes justamente os esportes que exigem maior habilidade porque o atleta pode utilizar todas as partes do corpo, menos as mãos - que são as principais ferramentas de trabalho físico. Ninguém trabalha chutando, pisando, nem anota, carimba, tecla, digita, com os pés, com o joelho, com os ombros ou o peito. A igualdade com qualquer outro esporte ou atividade é a utilização do cérebro. Este é capaz de milagres até para quem não tem braços ou pernas como se vê nos jogos paraolímpicos. Mas o futebol, o futsal e também o beach soccer - futebol de praia - e o próprio futvôlei deveriam estar entre as modalidades olímpicas. O Rio de Janeiro seria o palco ideal para que estas modalidades ganhassem o espaço que merecem. Copacabana seria o Maracanã da areia e o Maracanazinho abrigaria muito bem o futsal.