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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Silas não é novidade
O técnico Silas não é novidade para quem habita a Ilha de Santa Catarina. Desde que chegou, adotou uma postura ofensiva. O time procura jogar igual fora e dentro de casa. Além de ser campeão Catarinense e atropelar os adversários na reta final, o Leão da Ilha só foi superado pelo Corinthians de Mano Menezes na Série B do ano passado. A virtude de Silas é a escola dele como jogador. Atuou no São Paulo de Tele Santana e Cilinho. É possível afirmar que ele tem tudo para ser um Muricy Ramalho melhorado. Costumo assistir aos jogos do Avaí e dá gosto de ver a equipe jogar. Com todas as limitações técnicas, pois não possui grandes craques - o melhor é Marquinhos - tem no toque de bola a grande arma. Jogadas de linha-de-fundo, tabelas de primeira, cruzamentos para trás ao melhor estilo Silas, Muller e Sidnei com Careca flutuando. Lembra muito o futebol que Telê implantou na Seleção de 82, a coisa mais maravilhosa que já vi num time. Os laterais avançam, a zaga participa da saída de bola. Sem craques, o Avaí do Silas tem toque refinado semelhante ao Silas dos gramados, um jogador habilidoso e elegante com a bola nos pés. E do jeito que anda o Ricardo Gomes, é bom se apressar para ele não parar antes no São Paulo que em qualquer outro lugar. Na Argentina, até hoje ele é considerado um dos melhores meio-campistas que passou por lá. Jogou no San Lorenzo e teve passagens pela Seleção Brasileira. Veja o que ele já conquistou na carreira:
São Paulo
Campeão Paulista - 1985, 1987, 1998
Campeão Brasileiro – 1986
Internacional
Campeão Gaúcho - 1992
Campeão da Copa do Brasil – 1992
Vasco
Campeão Carioca – 1994
San Lorenzo
Campeão Argentino – 1995
Atlético Paranaense
Campeão Paranaense – 2000
Seleção Brasileira
Campeão da Copa do Mundo Sub-20 - 1985
Campeão da Copa América - 1989
Como técnico
Avaí
Campeonato Catarinense: 2009
Destaques
Melhor Jogador da Copa do Mundo Sub-20 - 1985
Melhor técnico do Campeonato Brasileiro da Série B - 2008
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Show é ganhar dando show
Foi pobre a participação do Brasil no Mundial Sub-20 no Egito. Um time completamente sem orientação tática. Um amontoado de bons jogadores que pararam no esquema de marcação de Gana hoje no Egito. Com um a mais em campo, o Brasil empatou sem gols no tempo normal, na prorrogação e perdeu nos pênaltis. O técnico Rogério Lourenço não pode assumir uma seleção mesmo que de base, a última base antes da principal. Deveria ser tarefa de Dunga também. Seleção não treina todo o dia. É bem possível ter pelo menos uma supervisão do treinador da seleção principal. Se tivemos Eliminatórias esta semana, tudo bem, mas na decisão ele poderia estar lá ou mandar um representante seu. O Jorginho, um outro ex-jogador da era Dunga. Ou quem sabe alguém como Romário para dar alegria ao nosso futebol de base. Estamos felipalizando nosso futebol. É marcação forte, retranca, e depois vem o ataque. Esta gurizada tem fôlego para marcar mas também atropelar no ataque. Por quê não jogamos para cima, com habilidade, nas pontas, driblando, agredindo o adversário pela bola, não pela pegada? Tô com o técnico do Grêmio Paulo Autuori, odeio pegada. Quero drible, gol, show. Show é ganhar é coisa do Parreira que foi Tetra nos pênaltis. Pra mim, show é ganhar dando show!
Gols do Romário para inspirar a gurizada!
Gols do Romário para inspirar a gurizada!
domingo, 11 de outubro de 2009
La Paz poderia ser La Luna

Assim que o ônibus desceu dos 4100 metros de altitude para os 3600 do aeroporto o cenário me chamou a atenção. Não via vegetação, apenas um terreno arenoso cor de argila clara, aquele barro meio cor de café com leite. Muita gente a pé, mulheres com crianças às costas e casas a quilômetros de distância sem ruas para carros, com acesso somente a pé. Nunca vou esquecer a imagem do estádio lotado e a torcida gritando Bo-Li-Via. Cada fatia da arquibancada correspondia um terço. E a cada sílada, tambores soavam no mesmo local. Foi a primeira torcida estereofônica que ouvi. Era um coro com uma sequência cada vez mais rápida. Bo.....Li.....Via, depois Bo..Li..Via e aí Bo-Lí-Via e Tum, Tum, Tum acompanhando.

Nos bares, refri e cerveja long neck CBN, as mesmas inicias da rádio que representava como repórter ao lado do narrador Salles Jr. Era a CBN Diário 740 de Florianópolis. Foi a primeira transmissão internacional da emissora, antiga Diário. Na verdade as letras significavam Companhia Boliviana de Cerveja. Muito boa, por sinal. Os lanches chamavam a atenção. Havia uma espécie de assado suíno que era descascado de uma forma bem primitiva - superou o nosso churrasquinho de gato. Aquilo ia num pão, com catchup, mostarda e outros condimentos, fora a prensa na mão do cara que tinha a unha negra. Não era tinta, era suja mesmo. Nestas horas, o jeito era almoçar Coca-Cola e chocolate, tudo industrial.
Mas não me arrependo de ter tomado chá de mate de coca. Foi o que me deixou mais disposto para encarar a altitude e que me deu pique para invadir o gramado ao final do jogo e ser o primeiro repórter de rádio do Brasil a ouvir os jogadores no campo após vitória de 3 a 1. Tive sorte aquele dia. E por pouco não tomei um soco do atacante Echeverry que fechou o punho quando perguntei sobre a derrota. Mas a Bolívia tem um povo acolhedor que nos recebeu muito bem em Santa Cruz de la Sierra. Pena que as fotos que tenho são todas impressas e não tenho um scanner para digitaliza-las agora. É lá que hoje o Brasil enfrenta a Bolívia pelas Eliminatórias. La altitud é sempre um obstáculo. Acabei tomando uma dose de oxigênio no aeroporto na volta. A melhor coisa que pode existir é poder respirar depois de tanta falta de ar. Entendi os asmáticos, que sensação desagradável. O Brasil precisa correr a bola, gritar o mínimo possível. Dunga sabe bem, pois foi ele o mestre daquele jogo. Comandou o time por mímica, apontando para um lado e para o outro, sem gritar. Quem sabe hoje ele grita à vontade do banco porque não precisará correr. Vamos ver Nilmar e o Adriano voando na Lua! Quero dizer: em La Paz.
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